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sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Do intervalo
Postado por Paulo Coelho em 23 de Outubro de 2008 às 23:54

O guerreiro sabe que, de vez em quando, o combate é interrompido. Não adianta forçar a luta; é necessário ter paciência, esperar que as forças entrem novamente em choque. No silêncio do campo de batalha, escuta as batidas de seu coração. Repara que está tenso. Que tem medo.

Com as mãos suando frio, constata que o intervalo do combate é mais terrível que a luta em si. E lembra-se que não pode contar apenas consigo: precisa de amigos, conselheiros, e aliados.

O guerreiro faz um balanço de sua vida; vê se a espada está afiada, o coração satisfeito, a fé incendiando a alma.

Paciente, sabe que a manutenção é tão importante quanto a ação.

Sempre tem algo faltando. E o guerreiro aproveita os momentos em que o tempo pára.
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De crer sem crer
Postado por Paulo Coelho em 21 de Outubro de 2008 às 00:10

O guerreiro da luz tem crises de fé. Há momentos em que não crê em nada, e é tomado de desânimo.

Ele senta-se em seu quarto, olha a parede diante de si. Não tem ânimo ou vontade de fazer nada. E pergunta ao seu coração: ” Será que vale a pena tanto esforço?”

Mas, por causa do momento de crise, o coração continua calado. E o guerreiro tem que decidir por si mesmo.

Então - como sempre - o guerreiro procura um exemplo em Jesus. O Filho de Deus deve ter passado por algo semelhante - ou não teria vivido a condição humana em sua plenitude.

E o guerreiro se recorda. “Afasta de mim este cálice”, disse Jesus. Também ele passou por isso.

O guerreiro da luz continua sem fé. Mas segue adiante assim mesmo, e a fé termina voltando.
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Da armadura
Postado por Paulo Coelho em 15 de Outubro de 2008 às 00:13

O guerreiro da luz, quando aprende a manejar sua espada, descobre que seu equipamento precisa ser completo - e isto inclui uma armadura.

O guerreiro sai em busca da sua armadura, e escuta vários vendedores.

“Use a couraça da solidão”, diz um; “use o escudo do cinismo”, responde outro. “A melhor armadura é não se envolver em nada”, afirma um terceiro.

O guerreiro, porém, não dá ouvidos.

Com serenidade, vai até seu lugar sagrado e veste o manto indestrutível da fé. A fé apara todos os golpes. A fé transforma o veneno em água cristalina.



É, eu sempre gostei desse cara! ;)

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